Na árvore genealógica da nossa família, o Christian e eu estaríamos um pouco distantes. É a minha avó materna, Geny, que é irmã da avó paterna dele, Ilza. Acho que seríamos primos de terceiro ou quarto grau. Não importa. Na prática, mandamos às favas esse papo de genealogia. Somos, sim, irmãos!
E por sermos da mesma idade – são apenas oito meses de diferença –, fomos companheiros de molecagem na infância, e seguimos aprontando muitas na adolescência. Daria para esgotar o limite de armazenamento desse blog só escrevendo histórias baseadas nas nossas experiências em Porto Alegre e, principalmente, na praia do Pinhal.
O Pinhal, aliás, foi onde disputamos pela primeira vez o amor de uma menina. O nome dela era Débora, e tinha uns 12 anos. Nós dois, uns... oito. Passávamos trinta vezes por dia em frente à casa da garota, sempre tentando espiar por entre as cortinas de crochê para flagrar a formosura daquelas pernas compridas da moreninha de cabelo chanel.
A casa dela era de esquina, na mesma quadra em que ficava a da tia Lila, onde pousávamos. A cor era em tom claro, e na frente havia um muro de um metro, ao lado de uma árvore que estava sempre florida e era constantemente visitada por beija-flores. Débora conversou conosco uma única vez. Estava sentada ao muro. Não sei se foi algo que dissemos, ou se foi porque estávamos vendendo brigadeiros para ter dinheiro para jogar fliperama, mas ela nunca mais olhou para nós depois daquele dia. Pouco depois, sumiu para sempre de nossas vidas. Eram tempos em que a maioria das crianças ficava na praia com as mães ou as avós por uma quinzena ou, no máximo, um mês. O tempo da Débora havia se esgotado. O nosso, se arrastou depois dela.
Nos anos seguintes, Débora foi substituída em nossos corações por uma loirinha de olhos verdes de nome Vivian, que tinha casa na rua da Corsan, ou melhor, na “rua da caixa d’água”. Tínhamos, enfim, chegado a adolescência. Nessa época, a disputa entre Chris e eu já era mais acirrada. Mas com as meninas, modéstia a parte, eu e meus cabelos compridos levávamos larga vantagem. Talvez por isso, ele fazia questão de me humilhar nos esportes. O Christian, com qualquer bola, é craque. Sempre foi. Desde o berço já fazia estripulias com as pelotas.
Como éramos parceiros, tínhamos a nossa combinação informal. Durante o dia, nos exibíamos em quadras de vôlei de praia ou jogando futebol na areia. E ele garantia o nosso sucesso desportivo. À noite, era minha vez. Trazia até ele as minhas amigas, várias delas. E o Chris, que naquela época era mirradinho, tinha o cabelo ruim, se consagrava. Porque, além de ser bom de bola, ele também sempre foi craque no papo.
Mas, como ocorre com quase todo mundo, crescemos e cada um tomou um rumo. Vieram as faculdades, os empregos, as namoradas... afastando-nos aos poucos. Há três anos, porém, nos aproximamos de novo. E, por mais estranho que pareça, foi com a ida dele para a Austrália. Estamos nos falando mais agora, separados por milhares de quilômetros, do que nos últimos anos dele em Porto Alegre.
O Chris, hoje, tem consagrado outras parcerias nos campos de um país ainda emergente no futebol. Já não precisa mais que ninguém apresente garotas pra ele. Primeiro, porque uma década de academia lhe renderam “atributos qualificadores”. Segundo, porque está muito bem casado. Então, me resta seguir daqui, contando as histórias do tempo em que o ex-magricela e eu aprontávamos todas. E alardeando ao mundo como esse cara joga bola.
E se você é daqueles que não acredita nas coisas até que veja com os próprios olhos:
E por sermos da mesma idade – são apenas oito meses de diferença –, fomos companheiros de molecagem na infância, e seguimos aprontando muitas na adolescência. Daria para esgotar o limite de armazenamento desse blog só escrevendo histórias baseadas nas nossas experiências em Porto Alegre e, principalmente, na praia do Pinhal.
O Pinhal, aliás, foi onde disputamos pela primeira vez o amor de uma menina. O nome dela era Débora, e tinha uns 12 anos. Nós dois, uns... oito. Passávamos trinta vezes por dia em frente à casa da garota, sempre tentando espiar por entre as cortinas de crochê para flagrar a formosura daquelas pernas compridas da moreninha de cabelo chanel.
A casa dela era de esquina, na mesma quadra em que ficava a da tia Lila, onde pousávamos. A cor era em tom claro, e na frente havia um muro de um metro, ao lado de uma árvore que estava sempre florida e era constantemente visitada por beija-flores. Débora conversou conosco uma única vez. Estava sentada ao muro. Não sei se foi algo que dissemos, ou se foi porque estávamos vendendo brigadeiros para ter dinheiro para jogar fliperama, mas ela nunca mais olhou para nós depois daquele dia. Pouco depois, sumiu para sempre de nossas vidas. Eram tempos em que a maioria das crianças ficava na praia com as mães ou as avós por uma quinzena ou, no máximo, um mês. O tempo da Débora havia se esgotado. O nosso, se arrastou depois dela.
Nos anos seguintes, Débora foi substituída em nossos corações por uma loirinha de olhos verdes de nome Vivian, que tinha casa na rua da Corsan, ou melhor, na “rua da caixa d’água”. Tínhamos, enfim, chegado a adolescência. Nessa época, a disputa entre Chris e eu já era mais acirrada. Mas com as meninas, modéstia a parte, eu e meus cabelos compridos levávamos larga vantagem. Talvez por isso, ele fazia questão de me humilhar nos esportes. O Christian, com qualquer bola, é craque. Sempre foi. Desde o berço já fazia estripulias com as pelotas.
Como éramos parceiros, tínhamos a nossa combinação informal. Durante o dia, nos exibíamos em quadras de vôlei de praia ou jogando futebol na areia. E ele garantia o nosso sucesso desportivo. À noite, era minha vez. Trazia até ele as minhas amigas, várias delas. E o Chris, que naquela época era mirradinho, tinha o cabelo ruim, se consagrava. Porque, além de ser bom de bola, ele também sempre foi craque no papo.
Mas, como ocorre com quase todo mundo, crescemos e cada um tomou um rumo. Vieram as faculdades, os empregos, as namoradas... afastando-nos aos poucos. Há três anos, porém, nos aproximamos de novo. E, por mais estranho que pareça, foi com a ida dele para a Austrália. Estamos nos falando mais agora, separados por milhares de quilômetros, do que nos últimos anos dele em Porto Alegre.
O Chris, hoje, tem consagrado outras parcerias nos campos de um país ainda emergente no futebol. Já não precisa mais que ninguém apresente garotas pra ele. Primeiro, porque uma década de academia lhe renderam “atributos qualificadores”. Segundo, porque está muito bem casado. Então, me resta seguir daqui, contando as histórias do tempo em que o ex-magricela e eu aprontávamos todas. E alardeando ao mundo como esse cara joga bola.
E se você é daqueles que não acredita nas coisas até que veja com os próprios olhos:
Obs.: uma lástima, mas nenhum dos dois se deu bem com a Vivian!
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