Não queria começar um texto com um clichê do tipo “o tempo voa”. Mas não adianta brigar com os fatos. O agora já passou e, se você dormiu no ponto, passou faz horas, dias, semanas...
Olhei para o calendário há pouco. Marca 28 de maio. Amanhã se completam 19 anos desde que meu primo Diego morreu, aos 12. Talvez eu já tenha citado ele por aqui. Éramos como irmãos. Formávamos com o Fábio, meu irmão mais novo, e o Christian, seu irmão mais velho, um quarteto que arrepiava a família quando se encontrava. Aprontávamos tanto que um de nós sempre se machucava, chorava ou tirava (muito) um adulto do sério. Se isso não ocorresse, ou já tinham nos separado antes mesmo de alguma brincadeira começar ou tinham colocado as primas mais velhas para coordenar a bagunça.
Diego, um menino doce e honesto, que venerava o mano mais velho e era apaixonado pela Fernanda, a mana mais nova, era um dos pontos de equilíbrio desse nosso grupo. Se Fábio e Christian eram os mais agitados, ele era o mais centrado, que sabia desde sempre distinguir o certo do errado, a aventura inocente do perigo iminente. Não que ele não se entregasse às traquinagens da idade, pelo contrário. Mas era, de nós quatro, aquele que tinha maior consciência do que estava acontecendo.
Vez ou outra, no entanto, o quarteto se dividia em duplas. Chris e eu, os “grandes”, éramos acusados (~injustamente, juro!~) de implicar com os “pequenos”, que, do nosso ponto de vista, já nem eram tão pequenos assim e deveriam aprender a se defender. Se o Diego precisasse, todavia, o Christian já corria com o auxílio antes mesmo de ser chamado.
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Mas o tempo voa e lá se vão duas décadas. A correria, a mesma que usamos de desculpa para tantas coisas, nos afasta cronologicamente daqueles momentos inocentes da infância. Vez ou outra, entretanto, um flash mais forte traz junto a lembrança de uma brincadeira, de um campeonato de botão, de um futebol na praia. Fecho os olhos e volto no tempo.
Nesses anos todos, não tive muitos sonhos com meu primo querido. Outra noite, porém, o enxerguei enquanto dormia. Tinha os cabelos pelo ombro. Já era um homem. Teria se dado bem com as mulheres. Fico pensando nas conversas que não tivemos tempo de ter, nos conselhos que ele teria me pedido, na profissão que teria seguido. Tento sentir a paz que ele transmitia com seus sorrisos para afogar a mágoa por não tê-lo mais por perto.
Penso no Chris e na Nanda, no Jorge e na Bia, e busco forças. Faz tempo que não nos falamos. Deixamos sempre para amanhã a ligação da saudade de hoje e de ontem. Sinto falta dos nossos encontros. Quem sabe a gente se reúne para jogar conversa fora e recordar quando o agora era só diversão. Antes que o agora passe de novo.